quinta-feira, 5 de abril de 2012

Procissão do Encontro


Mas chegou a hora, como antecipação, em que os passos de Mãe e Filho se separaram. Aos doze anos os passos de Maria se dirigiam, de volta, a Nazaré.......os passos de Jesus firmes, se dirigiam ao Templo, à Casa de Deus em Jerusalém. E a resposta depois do primeiro encontro doloroso foi: “Mãe, devo ocupar-me das coisas de meu Pai”. Naquele momento aos doze anos do Menino Jesus, Maria percebeu que tinha chegado a hora. Não era mais Jesus que seguiria seus passos, mas seria Ela, a Mãe, que deveria seguir os passos do filho Jesus. Também na família de Nazaré o descompasso aconteceu. Passos desconcertados, passos, à primeira vista, errantes. Mas passos certos na ótica de Deus Pai. Jesus deveria tornar-se Mestre. A partir daquele momento a Mãe deveria tornar-se discípula. E o Mestre Jesus dá seus passos na direção de sua vocação: Ele será Mestre de discípulos, Ele será Mestre de Multidões, Ele será Mestre de gerações. E ser Mestre é estar na frente, é dar passos firmes, fortes, para que outros possam seguí-lo. Ser Mestre é ter discípulos. Ser discípulo é seguir os passos do Mestre. E os passos do Mestre Jesus foram dados. Ele pisou firme na direção certa: fazer a vontade de Deus. E qual é a vontade de Deus: Revelar ao mundo o amor do Pai. E como fazer isso ? Morrendo em uma cruz, amando até o extremo.
Mas, Maria a Mãe, depois de deixar de ser mestra, tornou-se discípula e seguiu seu Divino Filho. Seguiu-o com alegria, em Caná da Galileia, fazendo com que ele transformasse água em vinho. Segui-o com apreensão quando pregava na sinagoga de Nazaré e de Cafarnaum. Segui-o com medo quando a avisaram que queriam matá-lo. Sim, Maria, a Mãe seguia seu filho com ternura, quando ele, nas encostas do Mar da Galiléia pregou as bem-aventuranças. Ela, a Mãe, sentia um misto de alegria messiânica e preocupação, quando, seguindo-o, o via realizando curas e milagres. Maria, seguiu os passos de Jesus, seu Filho. É a senhora dos passos, exemplo de discípula, que a todo momento está com o Mestre. Passos de Mãe, Passos do Filho. Humanamente falando o Filho não daria os passos certos, se não tivesse estado na estrada da Mãe.Passos que se seguem, se cruzam, se desencontram, passos que marcam, passos de Mãe e Filho, passos que se encontram em tantos momento, em tantas ocasiões. Passos que na verdade não se separaram jamais.
E eis que esses passos agora novamente se encontram. Se encontram aonde? A caminho do calvário. Passos doloridos, passos machucados, mas passos, sempre passos, um em direção ao outro. Os passos se encontram. Em uma rua estreita da velha Jerusalém. Enquanto cruel multidão grita enfurecida, olhares se cruzam. A mãe e o Filho, o Filho e a Mãe. Agora os passos se acertam. Ela continua a ser discípula, também no momento maior da dor. Por isso, passos que não separam jamais.
É o encontro doloroso nas ruas de Jerusalém, nas ruas da paroquia Santa Gemma. É o encontro que marca a história da humanidade, deve marcar a nossa história. Quem apoiará Jesus com a cruz às costas? Somente uma mãe terna o pode fazer. Quem dará forças a Jesus naquele momento terrível? Somente o olhar de Mãe pode fazê-lo. Qual o diálogo de ambos naquele encontro doloroso ? O diálogo do olhar. A mãe olhou para o filho e com certeza, com o olhar, disse, repetiu: “Faça-se a vontade do Pai”. O Filho alquebrado olhou para a Mãe e afirmou: ‘ É chegada a hora” – “Mãe, eu confio em ti”. Sim, neste mundo o Cristo, confiava em sua Mãe, pois mesmo adulto, continuava a ser criança necessitada de colo, de amparo...Mãe, eu confio em ti. Daqui a pouco, pregado na cruz, tendo a mesma mãe aos pés, Ele dirá: Pai nas tuas mãos entrego o meu espírito. Assim foi o encontro doloroso de dois mil anos atrás. E após aquele encontro rápido, veloz, devido a maldade dos soldados e da multidão, o cortejo continuou até o calvário. E os passos de Maria? Ah. Sim, a Mãe, continuou acompanhando o Filho com a cruz às costas. Fiel discípula. Os Passos do Mestre....os passos da discípula.
E os nossos passos? Como damos os passos, qual a nossa direção, cristãos do século XXI? Damos passos? Ou estamos parados? Damos passos na direção certa? Damos passos na velocidade necessária? Corremos, andamos ou acomodados estamos à beira do caminho?
É preciso dar passos. Jesus, o Senhor dos Passos nos ensina. Não podemos ficar parados. Precisamos dar passos e passos certos, passos na direção certa. É preciso dar passos na direção da conversão. É preciso dar passos largos para fugir do pecado. Carregar a cruz do apego ao mal e fugir de toda vaidade, orgulho, soberba. É preciso tomar a cruz e dar passos em direção à caridade, humildade, mansidão. É preciso deixar o caminho da ira, da raiva, da avareza, da luxuria e dar passos em direção à generosidade, à temperança, à castidade. É preciso fugir da preguiça, da indolência espiritual e dar passos em direção ao zelo, ao fervor, à verdadeira devoção. Precisamos dar passos. Jesus com a cruz às costas insiste: não podemos desistir. Temos que ir em frente, mesmo que a cruz pese. O pessimismo, a tristeza não podem deter nossos passos. O relacionamento familiar pode ser reconstruído. A vida pode encontrar de novo o sentido verdadeiro. O jovem drogado pode encontrar outro caminho. Não existe derrota completa nos passos de Jesus.
Diante do Senhor dos Passos e da Senhora da Dores, discípula perfeita, a querida Mãe da Piedade, não podemos ficar parados, não temos o direito de nos acomodarmos com a mentalidade desta sociedade traiçoeira em que vivemos. Para o Cristianismo os dias são difíceis,o pecado abunda na sociedade e na própria Igreja, mas a Palavra de Deus nos garante: “Aonde abundou o pecado, superabundou a Graça de Deus”. A Graça é maior que o pecado. O Bem é vencedor diante do mal. Jesus não deteve os passos diante do mal dos judeus que o levavam ao Calvário. Jesus seguiu firme seu caminho, sem jogar a cruz, sem desprezar a cruz, não tirou os passos do caminho certo. Assim, também, nós queremos continuar nossa caminhada, acertando nossos passos, mantendo-os no caminho certo, pois sabemos que depois da Cruz vem a Luz, depois da sexta-feira da paixão, encontramos o domingo radioso da ressurreição.
Senhor dos Passos, Senhora do Bom Caminho, Virgem da Piedade, ensina-nos a andar, a caminhar, a termos os passos firmes no caminho certo do Evangelho. Amém!

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