5º Domingo da Quaresma
Queridos Irmãos, última
semana da quaresma. Hoje a lirurgia nos chama a olhar a missão de Jesus e a
nossa missão quaresmal.
Jesus estava no interior
do Templo de Jerusalém, no pátio interno, chamado Pátio de Israel. Ali, nenhum
pagão podia entrar, sob pena de morte. Pois bem, dois gregos, dois pagãos,
aproximaram-se de Filipe, que certamente estava na parte mais externa, no chamado
Pátio dos Gentios, até onde qualquer pessoa podia chegar. Dois gentios, que
procuravam com fervor o Deus de Israel, tanto que “tinham
subido a Jerusalém para adorar durante a festa”. Com
humildade, eles pedem: “Gostaríamos de ver Jesus!” Eles não podiam entrar no Templo, não
poderiam ver Jesus, a não ser que este saísse e viesse aonde eles estavam.
Filipe, então, foi a Jesus e lhe relatou o pedido dos gregos. Jesus, então,
afirmou, de modo misterioso: “Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado!” Que
mistério, Queridos Irmãos: para que os pagãos vejam Jesus, isto é, para que o
contemplem com os olhos da fé, para que nele creiam e nele tenham a vida, é
necessário que Jesus seja glorificado pela cruz e pela ressurreição!
É necessário que Jesus, grão de trigo, que se faz Eucaristia, morra de dê fruto
– e este fruto é toda a humanidade, judeus e gentios que nele acreditarão e
nele terão a vida eterna:“Se o grão de trigo que cai na
terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas, se morre, então produz
fruto”.
Jesus entregará ao Pai a sua vida, para frutificar em salvação para nós, para
que possamos vê-lo, contemplá-lo e experimentá-lo como nossa Luz e nossa Vida!
Mas, não foi fácil a sua
missão! A vida de Nosso Senhor foi toda ela uma entrega de amor, que culminou
com a entrega mais absoluta na cruz. E isso custou! Como não nos impressionar
com as misteriosas palavras da Epístola aos Hebreus? “Cristo,
nos dias de sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas com forte clamor e
lágrimas, àquele que era capaz de salvá-lo da morte. Mesmo sendo Filho,
aprendeu o que significa a obediência a Deus por aquilo que ele sofreu. Mas, na
consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna para todos os que
lhe obedecem!” Que
mistério tão grande, tão adorável! O Filho foi se consumindo durante toda a
vida, fazendo-se, por nós, obediente ao Pai, até a morte e morte de cruz. O
Filho amado, durante toda a sua existência humana foi, humildemente, buscando a
vontade do Pai e a ela se entregando, mesmo quando foi percebendo que a vontade
do Pai querido apontava para a cruz! Assim, tornou-se causa de salvação para
todos nós, para os judeus e para os pagãos! Quanto tudo isso custou: “Agora sinto-me angustiado. E que direi? ‘Pai, livra-me desta hora?’
Mas foi precisamente para esta hora que eu vim. Pai, glorifica o teu nome!” Em
Cristo, Queridos Irmãos, vai cumprir-se a promessa que o Senhor fizera pelo
Profeta Jeremias: “Eis que virão dias em que
concluirei com a casa de Israel e a casa de Judá uma nova aliança: imprimirei
minha lei em suas entranhas e hei de inscrevê-la em seu coração. Todos me
reconhecerão, pois perdoarei sua maldade e não mais lembrarei o seu pecado”.
Eis, irmãos e irmãs: é na morte de Cristo que judeus e gentios entrarão para a
nova e eterna Aliança no sangue do Senhor! Quanto somos valiosos, quanto
custamos em dores e sacrifício, em doação e trabalhos ao Senhor! Quanto
deveríamos amar àquele que nos amou até a morte e morte de cruz! Por isso mesmo
São Pedro exclamará: “Sabeis que não foi com coisas
perecíveis, com prata ou com ouro, que fostes resgatados da vida fútil que
herdastes dos vossos pais, mas pelo sangue precioso de Cristo” (1Pd 1,18).
E, no entanto, Queridos
Irmãos em Cristo, é a cruz do Senhor, é seu sacrifício amoroso ao Pai por nós,
o critério do julgamento do mundo. Como dizia o Santo Padre Bento XVI, não são
os grandes, os crucificadores, que salvam, mas o pobre e impotente Crucificado: “É agora o julgamento deste
mundo. Agora o Chefe deste mundo vai ser expulso, e eu, quando for elevado da
terra, atrairei todos a mim”. Compreendem, meus caros, o
que o Senhor está dizendo? Sua cruz é o critério do julgamento do mundo: tudo
aquilo que não couber na cruz, tudo aquilo que fugir da lógica da cruz, é lixo,
é palha para ser queimada! É o amor manifestado e derramado na cruz que vence
Satanás, que vence o pecado, que vence a morte e nos dá a vida plena. Não é a
força, o sucesso, as razões humanas, o prestígio que salvam! Eis a loucura de
Deus: é Cristo elevado na cruz quem libertará os gregos que estavam do lado de
fora, sem poder entrar no povo da antiga aliança. Cristo morrerá por eles, por
nós, para que todos, atraídos a ele, formemos um novo povo, a Igreja, povo da
Nova e Eterna Aliança, selada no sacrifico do Senhor, neste mesmo Sacrifício
Eucarístico que agora estamos celebrando nos ritos da sagrada liturgia! Quanta
bondade, quanta misericórdia! Que dom tão grande recebemos do Senhor! Na cruz,
de braços abertos, o Salvador nosso une judeus e pagãos num só povo, o novo
Povo, a Igreja, sua amada esposa una, santa, católica e apostólica!
É este, Queridos Irmãos,
o mistério que a Palavra do Senhor nos convida a contemplar neste último
Domingo antes do início da Grande Semana. Mas, do alto da contemplação, o
Senhor nos surpreende com um convite,
um desafio, quase que uma ordem inesperada: “Se
alguém me quer servir, siga-me, onde eu estou estará também o meu servo”.

LINDA HOMILIA, PADRE LUCIMAR!
ResponderExcluirABRAÇÃO,
PADRE MARCELO - RIO DE JANEIRO