Deus...que deixou de haver remédio
Queridos Irmãos e Irmãs, tendo percorrido a metade da nossa caminhada quaresmal, hoje a liturgia nos apresenta a realidade da Antiga Aliança e como também nossa realidade, muitas vezes quebramos a aliança. Para não persistirmos nos mesmos erros somos chamados a conversão.
Como o povo da Antiga Aliança, também nós tantas vezes somos
infiéis – já devíamos ter visto isso claramente a essa altura da Quaresma! É
trágico, na primeira leitura, o resumo que o Livro das Crônicas traçou da
história de Israel: “Todos
os chefes .... Com estas palavras dramáticas, o Autor sagrado nos
explica o motivo do terrível e doloroso exílio da Babilônia: Israel fez pouco
de Deus, virou-lhe as costas; por isso mesmo, foi expulso do aconchego do Senhor
na Terra que lhe fora prometida, perdeu a liberdade, o Templo, a Cidade Santa,
e tornou-se escravo no Exílio de Babilônia. Aqui aparece toda a gravidade do
pecado, que provoca a ira de Deus! É sempre essa a conseqüência do pecado: o exílio do coração, a escravidão da vida!
A Escritura nos ensina, Irmãos, que Deus nunca faz pouco caso do nosso pecado,
nunca passa a mão na nossa cabeça, jamais faz de conta que não pecamos! Jamais
despensa de modo leviano as nossas infidelidades! E por quê? Porque realmente
nos ama, nos leva a sério, faz conta de nós! Ora, o pecado, afastando-nos de
Deus, nos desfigura e nos faz perder o rumo e o sentido da existência. Por
isso mesmo, causa a ira de Deus! Pois bem. A leitura do Livro das Crônicas nos
mostrou que, uma vez Israel convertido, corrigido, o Senhor fá-lo voltar para a
Terra sempre prometida.
Irmãos, esta mesma idéia que tantas vezes aparece no Antigo
Testamento, cumpre-se de modo definitivo em Cristo Jesus. Hoje, o Senhor, com
palavras comoventes, explica com uma delicadeza a Nicodemos a sua missão: “Deus amou ... Porque “estávamos mortos por causa de
nossos pecados”, Deus, na sua imensa misericórdia, nos deu
a vida no seu Filho único. Vede, irmãos: há duas realidades que são bem
concretas na nossa existência. Primeiro, a
realidade do nosso pecado. Nesta metade de caminho quaresmal, é preciso
que tenhamos a coragem de reconhecer que somos pecadores, que temos profundas
quebraduras interiores, paixões desordenadas, desejos desencontrados que combatem
em nós… Quantas incoerências, quantos fechamentos para Deus e para os outros,
quantas resistências à graça, quantas máscaras! A humanidade é isso! Não somos
bonzinhos! Somos todos feridos, todos doentes, todos pecadores, todos
necessitados da salvação! Mas, ao lado dessa realidade tão triste, há uma
segunda realidade: Deus não se cansa
de nós; estende-nos a mão para nos tirar do nosso atoleiro e nos
salvar! Essa mão estendida é o seu Filho Jesus! Deus amou tanto o mundo,
levou-nos tão a sério, que entregou o seu Filho, o Amado, o Único, o Santo! Se
grande é o nosso pecado, imensa a misericórdia de Deus em Cristo; grande a
nossa treva, imensa a Luz de Deus que nela brilhou em Cristo; grande o nosso
egoísmo; imenso o amor de Deus manifestado em Cristo; grande a nossa morte;
imensa a Vida que nos foi dada em Cristo Jesus, nosso Senhor!
Amados em Cristo, a grande tentação de nossa época é fazer pouco
de Deus e, cinicamente, mascarar nosso pecado. Quantos cristãos adulteram,
roubam, fornicam, abortam, negligenciam seus deveres para com Deus e com a
Igreja, desobedecem aos mandamentos, e não estão nem aí. É um espírito de
descrença, de falta de atenção e delicadeza para com o Senhor. Vemos isso em
tanta gente de Igreja… Aqueles que nos corrigem são chamados logo de
reacionários, fechados, sem misericórdia, duros, insensíveis para o mundo
atual… E no entanto, a Palavra do Senhor é clara: é necessário que fixemos o
olhar em Cristo que se entregou por nós e reconheçamos a gravidade e a concretude
do nosso pecado! Voltemos, irmãos e irmãs! Em Cristo Jesus, nosso
Salvador, “Deus quis mostrar a
incomparável riqueza da sua graça!” Não brinquemos com o amor de Deus,(...)
não recebamos em vão a sua correção!
Recordemos que hoje, no Evangelho, após mostrar o imenso amor de
Deus pelo mundo, a ponto de entregar o Filho amado, Jesus nos previne
duramente: Quem nele crê, .... Ora, Irmãos, acreditar no nome de
Jesus não é aderir a uma teoria, mas levá-lo a sério na vida pelo esforço
contínuo de conversão à sua Pessoa divina e à sua Palavra santa! Crede, irmãos,
crede, irmãs! Crede não com palavras vãs! Crede com o afeto, crede com o
coração, crede com os lábios, mas, sobretudo, crede com as mãos, com os vossos
atos, com a prática da vossa vida! De verdade creremos na medida em que de
verdade nos abrirmos para a sua luz; pois “o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens
preferiram as trevas à luz”.

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